19
ago

O Amanhecer

(Ética Plena)

Peer Gynt é o personagem principal de uma peça teatral do mesmo nome escrita pelo mais famoso dramaturgo norueguês do século XIX Henrik Ibsen, cuja importância extrapolou em muito os limites da Noruega a ponto de ser considerado o melhor de todos desde Shakespeare, tendo influenciado dramaturgos e romancistas do nível de um George Bernard Shaw, James Joyce e Eugene O’Neill. Essa peça foi musicada pelo também norueguês Edvard Grieg, o mais célebre compositor norueguês e um dos mais destacados do período romântico. No quarto ato da peça, o personagem em questão se vê sozinho, abandonado, em situação de total penúria após ter seus bens roubados enquanto estava no meio de um deserto. Nesse momento de angústia, Peer Gynt sonha com o amanhecer de um novo dia, uma nova possibilidade de existência. Sobre esse amanhecer no deserto, Grieg compôs o “Morning Mood”, que descreve o humor matinal dos que experimentam a graça divina de verem mais uma vez o nascer do sol e, com isso, o retorno da esperança e da vontade de viver.

O personagem dessa peça se envolve em muitas situações duvidosas em que seu caráter é profundamente questionado. Mas, quando encontramos alguém que se esforça por ser uma pessoa justa, descobrimos que as veredas que percorre se assemelham à luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. É como se a pessoa que luta para ser melhor iniciasse o seu dia – luz da aurora, como uma disposição muito grande de que, na medida em que o dia desabrocha, ele se aproxime cada vez mais da perfeição (conforme Provérbios 4:18).

Mas, em tempos difíceis, como os do personagem Peer Gynt, desprovido de recursos, solitário e no meio do deserto, como viver na pratica a sabedoria proposta nesse magnifico Provérbio de Salomão? A pergunta parece fazer sentido, pois, à vezes, estarmos no meio do deserto traz uma enorme sensação de angústia e desesperança. O chamado povo de Deus que saiu do Egito experimentou algo semelhante. A dor da alma era tão profunda que, mesmo vendo a poderosa mão de Deus agindo todo o tempo, ainda assim, eles duvidavam. Alguns achavam mesmo que o sonho de um dia chegar à Terra Prometida era pura ilusão. É só lembrar a triste história de Coré, Datã e Abiram que se levantaram contra Moisés por não acreditarem que as promessas divinas seriam realizadas (Números 16:1-35).

Esses personagens bíblicos acima mencionados eram como profetas da noite eterna, mensageiros do vazio e do nada. Completamente distantes da sabedoria do livro dos Provérbios ao apontar as ricas possibilidades da luz da aurora, da novidade das manhãs, do sol que se levanta ao nascer de um novo dia, como na belíssima melodia de Grieg. Algo que, talvez, traga à nossa memória o olhar de Moisés do alto da montanha e enxergando, lá adiante, a Terra Prometida. Quem sabe, sentindo em seu coração, alguma coisa próxima ao que, um dia, escreveu o famoso escritor Mark Twain: “Lá longe, ao sol, encontram-se as minhas aspirações. Poderei não alcançá-las, mas posso levantar os olhos, ver a sua beleza e acreditar nelas”.

“Morning Mood” – Edvard Grieg

Rubens Eduardo Cordeiro.
Psicólogo, Teólogo, Autor e Pesquisador do Programa BENE

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