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A escola deve ensinar só português e matemática?

A escola deve ensinar boas maneiras ou só português e matemática? Qualquer escola exigente fará boas contribuições na formação das nossas crianças? Tirar boas notas significa uma formação integral? Essas e outras questões são muito relevantes na hora de estabelecer a parceria família e escola.

Quando um estudante participa de uma aula, ele também desenvolve foco e escuta ativa. Ele tem a oportunidade da interlocução e do pensamento crítico. Quando realiza uma experiência investigativa em um laboratório, ele se elabora no fazer para resolução de problemas. Resolver problemas é, também, uma habilidade socioemocional. Resolver problemas é uma habilidade requerida para a vida. Estudar sozinho desenvolve metacognição e emancipação. Estudar com um colega permite o exercício da solidariedade e exerce a inteligência que se constrói coletivamente. Escrever uma boa redação requer capital cultural e criatividade. Criar um projeto potencializa o protagonismo e o autoconhecimento. Errar é também fonte de resistência às frustrações. A concentração em tarefas que exigem observação ou atenção podem também fortalecer a motivação pessoal, que é intrínseca, mas que muitas vezes acaba por ficar dependente de estímulos externos.

Observe que o mesmo estudante opera, nas práticas na escola, tanto as habilidades de pensamento quanto as socioemocionais. São indissociáveis. Enquanto processa desafios à cognição, habilita-se no afetivo-emocional, no ético-social. Sendo assim, a escola será espaço de aprendizagem do português e da matemática, mas também contribuirá na formação do ser humano integral, de maneira integrada em suas dimensões:

Corporal: consciência corporal, vivenciar uma vida de qualidade

Socioemocional: estabilidade das emoções e exercício das virtudes morais.

Cognitiva: habilidades do pensamento como lembrar, entender, aplicar, analisar, avaliar, criar.

Transcendental: ação do sujeito para além de si, considerando o próximo.

Estudos recentes realizados por organizações internacionais ajudam-nos a compreender a importância do desenvolvimento das competências socioemocionais. A OCDE comprova, em suas pesquisas, que estudantes que apresentam tais competências demonstram melhora dos resultados. Constata aumento de índices de sucesso educacional, social e no mercado de trabalho. Outras organizações, como a Unesco, enfatizam, por sua vez, as contingências socioculturais do século XXI e descrevem quais competências seriam necessárias aos jovens para serem bem-sucedidos na vida contemporânea, considerando também os aspectos profissionais e acadêmicos. Algumas delas são: pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração, flexibilidade, liderança, iniciativa e habilidades interculturais.

No Brasil, temos recém aprovada uma legislação sobre organização do currículo escolar: a Base Nacional Curricular Comum. Ela traz uma meta de direitos de aprendizagem e competências gerais, vários deles relacionados à temática das habilidades socioemocionais. Nesse sentido, as escolas deverão obrigatoriamente considerar esses saberes em seus programas e cursos. Sendo assim, contribuir na formação dessas competências e habilidades socioemocionais é bem representativo ao trabalho da escola. E, como tudo em educação, só é possível ensinar aquilo que se aprendeu e que se é. Desta forma, faz-se requerido que o educador também desenvolva criticamente suas habilidades socioemocionais, promovendo um espaço de reconhecimento, reflexão e exercício – de si, do outro e da ação moral.

Escrito por: Lilian Neves | Organizadora da coleção Bene:)

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